domingo, 28 de novembro de 2010

Cap. 5 – Sobrevivendo Ao Despertar Dos Mortos.

O olhar de Damon envolvia-se ao de Samantha, tornando aquela atmosfera ainda mais sombria. Era possível ver seus olhos refletindo o terror daquele momento, ele penetrava tão fundo no verde dos olhos dela sentindo a essência do medo sendo exalada por essa janela da alma. Ele muito queria poder ajuda-la, não se perdoaria caso ela morresse por ali e de forma tão cruel, uma mulher guerreira e de beleza tão angelical não poderia terminar como alimento para os malditos mortos vivos. Em um instante ele a vê olhando-o como uma criança, que busca a proteção dos pais. Ela abraça-o, abraça-o firmemente e ele retribui o afeto, queria passar proteção, tentava ao máximo passar alguma segurança, embora naquele momento, o medo não permitisse nenhuma demonstração de segurança. Mesmo assim, ela parecia estar confortável nos braços dele.

Com arma em punho, Damon acompanhava o espaço à sua volta e captava os famintos zumbis lavantando-se e vindo em sua direção. Um deles não tinha uma parte do crânio, deixando seu cérebro exposto, suas roupas estavam rasgadas e seus intestinos caiam a cada passo dado. O mesmo voltava olhos brancos e grotescos para Samantha, assim como um predador observa sua presa. Havia outro que nem conseguia levantar-se, suas pernas estavam mutiladas, provavelmente foram devoradas enquanto tivera vida, ele vinha rastajando-se com muito esforço e desespero em busca do seu alimento. O mais proximo deles era uma mulher gorda e extremamente desfigurada, uma gosma escorria pelo seu rosto sem olhos, não tinha lábios, seus dentes estavam à mostra. A cada segundo surgiam mais deles, por todos os lados. Não era possível atirar em todos, era uma batalha invencível. 
Damon sentia as lágrimas de Samanta molharem seu ombro e ela sentia o remorso dele por não poder fazer nada naquele instante. Olharam em volta, já estavam quase cercados, era o momento mais terrível de suas vidas, abraçaram-se ainda mais forte. Seus olhares envolviam-se de forma tão intensa que traduziam o que tinham a dizer, era adeus, nada além disso.

Os urros tenebrosos estavam cada vez mais perto, Damon não queria desistir sem lutar, se fossem morrer, ele morreria tentando salvar ao menos a vida dela. Um deles os surpreendeu, levantou-se repentinamente por trás deles, segurou firme o ombro de Samantha e quando preparava-se para morde-la, antes que Damon esboçasse alguma reação, rajadas de tiros cruzaram o ar, entrando na rota dos zumbis. Um deles acertou em cheio o infeliz que tentava alimentar-se de Samantha, deixando-os aliviados, muito aliviados. Era inacradetável, num momento em que tudo parecia perdido, surgiu uma salvação. O som dos tiros vibraram os tímpanos deles e essa vibração trouxe consigo a esperança de se livrarem da morte. O atirador gritou freneticamente:

- Cuidado! Vou abrir caminho pra vocês! Corram!!!

Instantaneamente eles correram pelo caminho onde os malditos estavam caindo, após serem exterminados pelos precisos tiros. Ainda haviam muitos e tinham que ir desviando de alguns que não haviam sido acertados. Era algo muito arriscado, uma corrida de obstáculos, onde o objetivo não era chegar primeiro e sim não ser modido. Num dado momento, Damon quase fora mordido. Um zumbi chegou bem perto de morder seu ombro, conseguindo arrancar o seu colete, se não fosse por isso, certamente ele seria mordido. Por um fio conseguiram se distanciar sem virar alimento. Após tomarem boa distância, o desconhecido alertou-os.

- Protejam-se! Vou explodir todos eles. -O homem foi falando e tirando o pino da granada. 


Ele segurava três delas e em segundos arremessou-as contra os inimigos. Em seguida, pedaços de zumbis passaram a voar, lembrando uma chuva, uma chuva de sangue e restos mortais. As chamas consumiam os restos que sobravam, a poiera e os destroços tomaram conta do lugar, tornando o cenário ainda mais devastado, era uma verdadeira zona de guerra. O homem usava um uniforme militar e uma máscara de gás, a qual distorcia sua voz e escondia sua face. Damon e Samantha voltaram-se para o desconhecido e falaram conjuntamente:

- Obrigado! Muito Obrigado!
- É pessoal, ainda bem que cheguei a tempo de salva-los, caso contrário vocês seriam o lanchinho deles. Risos.
- Eu nem sei como te agradecer. Me chamo Damon, Damon Scott e essa é a Samantha, Samantha Kennedy. Quem é você?
- No momento não me identificarei. Vocês ainda não devem saber de tudo, há muita coisa em jogo por aqui. Em breve vou esclarecer-lhes tudo.
- Hum... Fico feliz em encontrar alguém capaz de explicar que diabos está acontecendo com essa cidade.
- Infelizmente eu não tenho todas as respostas, meu caro. Ainda estou buscando-as. Mas farei o possível para conseguir o máximo de esclarecimentos.
- Cara, você encontrou outros sobreviventes? –Pergunta Samantha um pouco aflita.
- Sim. Estou com mais duas pessoas, encontramos um lugar seguro aqui perto. Vou leva-los até lá.
-Espero que algum deles seja um dos meus amigos.
-Vamos indo! Meu carro está ali perto, logo chegaremos até lá.

Clyntons Street´s B1, 10:20 am.

-Ei! Senhor! Senhor! Está bem??? Pode me ouvir?
-Huumm... Ahhhgghh... –Gemendo um pouco e abrindo os olhos lentamente, Shawn volta-se para o jovem que tenta ajuda-lo.
-Que bom que está bem! Só deve está machucado pelo capotamento, vou tirar-lo daí antes que eles venham.

Cuidadosamente o jovem abriu a porta do carro e soltou o cinto do Shawn, que ainda estava bastante atordoado. Enquanto ele entrava, três zumbis foram atraídos pelo barulho e aproximaram-se do veículo. Quando o jovem estava se preparando para sair, um deles agarrou sua perna, tentando mordê-lo. Ele a balançava freneticamente e desesperadamente fazendo o possível para não ser mordido. As coisas pioraram ainda mais quando outro zumbi tentava entrar pelo lado onde Shawn se encontrava. Batendo no vidro furiosamente, logo ele conseguiria quebra-lo e alcançar Shawn. Quando tudo parecia estar se aproximando do fim, milagrosamente Shawn desperta e num movimento estilo faroeste, saca duas armas e, abrindo os braços em forma de cruz, dispara contra os zumbis que tentavam ataca-los, acertando em cheio seus crânios.

-O Senhor despertou na hora certa! Mrs. Anders! –Fala o garoto, ainda deitado dentro do carro.
-Você se arriscou pra me salvar e quase perdeu sua vida. Vocês adolescentes são sempre impulsivos e imprudentes. Mas muito obrigado! –Comenta Shawn sorrindo ironicamente.
-Vou tira-lo daí Sr. Anders.
-Você me conhece? Não estou me recordando da sua aparência.
-Eu sou Matthews Brown. É que já faz um tempinho que não venho à The Princess!
-Eu não acredito!!! Vc é o pequeno Matt! Minha nossa como você cresceu! E o seu pai?? Onde ele está???
-Infelizmente quando eu acabei de chegar aqui, esse desastre já havia acontecido e não consegui encontra-lo, estive lá em casa e  tudo estava revirado, havia sangue por toda parte, creio que ele e minha mãe não estejam mais conosco. –O garoto fala com os olhos cheios d'água.
-Eu sinto muito Matthews... -Lamenta Shawn e em seguida fala com muita determinação. -Prometo que sairemos ilesos daqui! 

The Princess Main Entrance, 11:35 am.

- Dra. Christine. Todas os acessos para a cidade foram bloqueados, ninguém entra e ninguém sai.
- Muito bem Major Campbell! E como estão os relatórios de contaminação?
-Por enquanto, o perímento está seguro, sem risco de contaminação nas cidades vizinhas.
- E os Drs. Ferdinand e Forest? Deram algum sinal de vida?
-Ainda não se comunicaram, mas o GPS indica que estão a salvo.

Em seguida, a assistente da Dra. Christine interrompe a conversa falando desesperadamente:

-Problemas gravíssimos!!! Problemas gravíssimos Dra.!!!
-O que houve Janneth? Porque esse desespero???
-  β-Solanum!!!
-O que??????!!!! –Exclama muito surpresa a Dra. Christine
-Isso mesmo Dra. Acabei de identificar β-Solanum no ar... O maldito vírus deve está mutando de alguma forma, provavelmente se fortalecendo quando passado de um organismo para o outro... –Especula Janneth.
-Talvez não seja isso, cara Janneth... Maldito Forest! Aquele desgraçado deveria estar trabalhando com essa variedade secretamente, já fazia um tempo que eu andava desconfiando das pesquisas secretas que ele desenvolvia, sem nos deixar ter acesso às suas anotações...
-E agora o que faremos? O nível é de 9.789%. Já está bastante alarmante.
-Foi encontrado algum espécime infectado com o β-Solanum?
-Ainda não Dra., mas não podemos descartar essa hipótese...
-Entre em contato com a Central da Biotec, teremos que fazer a... –Christine respira fundo e completa.
-De-sin-fec-cão...
-Desinfecção!? É o que eu realmente estou pensando? A atitude vai ser tão extrema assim???
-Não temos escolha, caso não seja feito, as cidades vizinhas serão comprometidas, talvez o país e até o mundo!

Princess Gallery. 12:31 pm.

-Provavelmente vão fazer com a cidade o mesmo que fizeram com as cidades japonesas e Chernobil... Comenta o Dr. Kennedy.
-Eles não tem o direito de fazer isso! E as vidas que se perderão??? Essa atitude é extrema e inconsequente! –Molson fala furiosamente.
-Pelo que vimos quando fugimos da rádio, acho difícil imaginarem que ainda hajam sobreviventes na cidade. O que temos que fazer agora é tentar sair dessa galeria, pegar um carro e dar o fora. Creio destruirão a cidade em no máximo 12 horas...
-Kennedy! Olhe lá fora! Estão tentando entrar! Malditos! Parecem sentir o cheiro da “comida”...
-Vamos ter que sair pela cobertura... E por falar nisso, o Padre ainda está lá?
-É mesmo! O Padre Antonny!!! Ele subiu já fez um tempo e ainda não desceu... Vou explicar a situação pra ele.

Molson sobe as escadas e ao ver um rastro de sangue, passa a chamar pelo padre.

- Padre Antonny! Padre Antonny! O Sr. está aí???

Após chegar na cobertura ele vê uma cena dantesca. Restos mortais do padre espalhados por todos os lugares e dois cachorros enormes devorando-os. Ele foi recuando lentamente para trás, evitando ser percebido. Mas a sorte não estava do seu lado, ele acabou pisando uma barra de ferro que estava no caminho, que além de derruba-lo fez um grande barulho, entregando a sua presença para os animais vorazes. Os cachorros zumbi voltaram-se instantaneamente para sua direção e partiram freneticamente ao seu encontro. Um deles arrancou um de seus braços com uma violenta mordida, e seu sangue passou a esguichar, tornando o tom vermelho do cenário ainda mais intenso. O outro mordeu sua barriga, arrancando sua pele e logo em seguida, espalhando-lhe os intestinos.

Seus gritos de dor e agonia ecoaram de forma ensurdecedora e Kennedy sentiu um frio congelando sua espinha. Ele achara que estavam seguros naquele local, não conseguia imaginar o que estava atacando Molson, e que provavelmente matou o padre. Subiu as escadas cautelosamente com uma shotgun em punho e viu o corpo de Molson sendo retalhado, além de observar as partes arrancadas do corpo do padre. Furiosamente, apontou a arma contra os animais, que mais pareciam o próprio Cerberus, pelo olhar demoníaco que apresentavam. A sorte realmente parecia está longe dali, a maldita arma emperrou na hora do tiro e o  coice derrubou Kennedy. Em segundos os cães infernais já estavam prestes a devora-lo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cap. 4 – Morte Pairando no Ar.


Damon voltou-se rapidamente para a direção dos gritos, com arma  em punho e se preparando para salvar quem gritava por socorro. Era uma voz feminina, parecia muito ofegante, provavelmente estara correndo daquelas coisas há muito tempo. Ele estava na espectativa de poder salvar pelo menos essa pessoa com vida, então correu rapidamente e foi se aproximando da mulher. Logo percebeu um grupo de cinco zumbis perseguindo-a, quando estava se preparando para atirar, a desconhecida exclamou:

- A sua arma! Jogue-a para mim! Por favor jogue agora!!!

Damon surpreendeu-se com isso, todavia, assim que ela terminou de falar, arremessou a arma. Com muita agilidade a mulher agarrou-a e em fração de segundos voltou-se contra seus perseguidores, disparando cinco tiros certeiros, explodindo os miolos deles. Ela parecia uma atiradora profissional, foi incrível como conseguira matar os cinco em poucos segundos, com tanta eficiência e precisão. Após abatê-los, ela voltou-se para Damon, devolvendo-lhe a arma e falou sorrindo:

- Você nunca viu uma mulher atirando? Sua expressão de extrema surpresa está muito engraçada! Risos.
-Nossa! Você foi muito precisa com os tiros, existem poucos atiradores assim.
-Cara muito obrigada por me ajudar. Eu não tinha mais forças e estava perdendo as esperanças, você apareceu milagrosamente para salvar minha vida! Estou muito grata! Como se chama?
- Fico muito feliz de encontrar uma sobrevivente, pensei que era o único diante dessa calamidade. Eu me chamo Damon, Damon Scott. E você?
- Sou Samantha, Samantha Kennedy. O que você faz aqui na cidade? É um morador? Como conseguiu escapar da contaminação?
- Bom... Eu sou policial, fui transferido recentemente para esta cidade, onde até pouco tempo a tranquilidade reinava, crimes eram raros... -Damon suspira por um momento. E agora... Está esse caos! Um cenário com muito sangue e carnificina. Tudo isso é inacreditável, qualquer um custaria a acreditar nisso. Eu simplesmente fui dormir e acordei pensando que era um dia comum, mas logo percebi que me encontrava num pesadelo real. E você Samantha? O que faz? Como chegou até aqui?
- Sou atiradora de elite, tenho muita experiência em sequestros e ataques terroristas. Eu e minha equipe fomos convocados para vir até The Princess conter uma suposta ameaça de bioterrorismo. Chegando aqui fomos surpreendidos por esses mortos vivos, estavamos em número de quinze. Centenas deles vieram de toda parte e atacaram o nosso comboio, doze dos nossos foram massacrados, mesmo com armamento pesado não foi possível vencê-los, eram muitos. Foi a batalha mais sanguenta que meus olhos já presenciaram. Restaram apenas eu e mais dois. Um é o Peter Kiehl, cientista especialista em Bioterrorismo e o outro é Billy Morton, comandante do esquadrão anti-terrorismo dos EUA. Nós conseguimos fugir e decidimos nos separar para tentar encontrar sobreviventes. Acho que foi a maior besteira feita, juntos já corriamos risco máximo, separar-nos, tornou-se praticamente suicídio. Espero que eles estejam vivos, ambos seriam muito úteis na busca por respostas sobre o ocorrido. Agora desejo muito compreender como aconteceu esse desastre e resgatar possíveis sobreviventes.

Damon olhava profundamente nos olhos de Samantha e percebia o quanto aquela mulher era segura e determinada, além disso, assim como ele, desejava desvendar a causa de toda essa calamidade. Ela tinha uma aparência muito delicada, cabelos loiros, lisos e longos, olhos tão verdes quanto esmeraldas, magra e tinha altura por volta de 1.75. Apesar de parecer tão angelical, a sua coragem e força eram percepitíveis na forma de agir e expressar as idéias. Juntar-se a ela seria uma excelente opção, poderia ser uma grande aliada, certamente ficaria mais fácil lidar com a situação, pois ambos estavam com objetivos semelhantes. Após refletir, ele volta-se para ela e diz:

-  Samantha, junte-se a mim! Vamos tentar montar esse macabro quebra-cabeças e desvendar todo esse mistério!
-  Conte comigo Damon! Irei dar o meu máximo para conseguir respostas para tudo isso! Mas primeiro temos que procurar por munição... Podemos ir até a delegacia?
-  Sim! Não fica muito longe daqui! Contudo, provavelmente será muito perigoso, podem haver muitos deles por lá, embora corramos esse risco, é nossa única opção. Meu carro está ali perto, vamos!

Eles entraram no carro e Damon entregou uma 9 mm para Samantha, apesar de ter apenas um pente, era importante manter-se armado. Até porque poderiam conseguir mais munição na delegacia, mesmo sendo tão arriscado. Passaram por alguns quarteirões e ambos se entreolhavam, percebendo o terror em seus olhos. As ruas estavam banhadas em sangue, os restos mortais espalhados e os mortos vivos gemiam assombrosamente tentando aproximar-se do carro, Damon pisava fundo antes que chegassem perto demais.
Logo chegaram em frente à delegacia. Como esperado, a carnificina reinara por ali. Percebia-se a guerra que acontecera, centenas de civis, policiais e zumbis mortos. Eles sentiam sua espinha estremecer, o efeito provocado pela visão daquela cena era agonizante, eles sentiam a essência da discórdia sendo exalada por toda aquela ruína. Damon suspira de olhos fechados e volta-se para Samantha:

- É devastador... Eu já não sei onde buscar forças para resistir à tudo isso...
-   Isso é uma guerra Damon... Uma guerra dos vivos que bucam sobreviver contra os mortos que querem se alimentar.
-  Samantha... Ainda devemos entrar na delegacia para pegar munição? Está me parecendo extremamente arriscado...
-  É nossa única opção! Sem armas ficaremos ainda mais vulneráveis à ataques, além disso, devemos lembrar das pessoas que estão a espera de resgaste. Não temos escolha é um risco inevitável...

Quando eles caminhavam em direção a porta da delegacia, aconteceu algo terrível... Os cadáveres passaram a se levantar. Eles ficaram aterrorizados, em instantes foram surpreendidos pelo despertar dos mortos e em pouco tempo estariam cercados, as balas que tinham não seriam suficientes para contê-los, eram muitos. Damon e Samantha olharam-se nos olhos em clima de despedida, como se estivessem perto do fim... Parecia o fim... Provavelmente morreriam por ali...

Clyntons Street´s. 10:03 am

“-Esteja bem Damon, por favor.” –Murmurra Shawn, bastante preocupado com o amigo.
“-Não estou acreditando no que está acontecendo, antes eu não acreditava muito em inferno, mas agora parece que suas portas foram abertas. Ainda bem que minha querida Vivian e nosso bebê foram para Nova York e estão livres disso. Espero que a infecção seja contida e não se espalhe por outras cidades.” Fala para si aliviado, por saber que sua família está livre desse caos.

Anders Shawn era policial veterano, com 38 anos, começara a carreira com 18 anos, seguindo os passos do seu pai. Ele era um dos policiais mais respeitados em The Princess. Era famoso por nunca ter atirado em alguém,  achava que uma arma não devia ser utilizada se não fosse para matar. O seu primeiro contato com Damon, não fora nada agradável, achara que ele era apenas um moleque que viera causar problemas para corporação. Durante a primeira semana sempre evitara contato e demonstrara grande aversão. Isso mudara muito rapidamente após uma conversa iniciada por Damon, tentando esclarecer os fatos e entender qual o motivo dele trata-lo mal. Depois de uma longa conversa, Shawn percebera que Damon não era um moleque, ele mesmo estava agindo como tal, pois nem teve oportunidade de conhecê-lo direito e já o julgara. Devido a essa atitude, percebeu que o novato tinha fibra e logo foram se tornando grandes amigos. Juntamente com o Matt, os três sempre saiam para se divertir quando estavam de folga. Agora tudo estava acabado, a cidade estava um caos e ele ainda não sabia que seu grande amigo Matt morrera.

-Pare o carro por favor! Pare o carro! –Um estranho surpreendera Shawn batendo no vidro do carro.
-O que aconteceu meu jovem? –Pergunta Shawn após parar a viatura.
-Por favor me ajude, eu e meus amigos fomos atacados, fui o único que conseguiu escapar. –Fala o jovem em tom de desespero.
-Entre no carro vou leva-lo a algum lugar para poder tratar dos seus ferimentos.

Após o jovem entrar no carro, Shawn pisou fundo para continuar seu percurso. Ao virar num cruzamento, deu de cara com uma legião de mortos vivos. Seu coração ficou a mil, assim que eles ouviram o barulho do carro ficaram descontrolados, voltando-se para direção do mesmo. Shawn fez uma manobra muito brusca, fazendo os pneus cantarem e deixando cheiro de borracha queimada no ar, afastando-se dos zumbis. 

-Essa foi por pouco meu jovem! Iriamos virar banquete deles. –Fala Shawn aliviado. – Ei rapaz! Rapaz... Você está bem???
-Urghhhhhhhhh!
-Ei cara! Você está louco??!! Me larga! Eu vou perder a direção! Nãooooooooooooooooooo!

O rapaz tornara-se um deles devido as mordidas que levara e passou a tentar atacar Shawn, que ainda não havia percebido que a mordida transmitia o vírus. Ele acabou descobrindo tarde demais. Lutando para não ser mordido, perdeu a direção do carro, que acabou capotando várias vezes. O rapaz que se tornara um zumbi, foi arremessado pelo para brisas, estourando sua cabeça no asfalto, o mesmo não aconteceu com Shawn porque usara o cinto de segurança, porém ele se machucou muito e ficou desacordado. O barulho do acidente atraiu os mortos que estavam por perto. A morte parecia está bem perto de agarra-lo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cap. 3 – Lágrimas Vertidas em Sangue.

Transmissão da Rádio Princess. 9:00 am.

-So-la-num... Essa é a causa. -Meio que soletrando. Responde o Dr. Gerald Kennedy.
-E o que seria esse tal de Solanum Dr.? Algum tipo de vírus? Bactéria? –Pergunta o radialista Molson.
-Vírus. Bom, muitos disseram que a existência desse vírus é um mito, mas eu posso dizer-lhes senhores, sem sombra de dúvidas, que este maldito vírus existe e é ele que está espalhando essa doença zumbi na nossa cidade.

-Como o Sr. tem tanta certeza disso?

-Tsc... Certamente todos aqui já ouviram falar sobre as bombas atômicas que devastaram Hiroshima e Nagasaki ou do acidente nuclear em Chernobil. Não soa estranho saber que as bombas foram lançadas desnecessariamente? Mesmo com a rendição do Japão? Não... Não senhores... Não foi um teste do poder destrutivo das bombas... Mas sim uma forma de descontaminação... O Solanum transformou essas áreas num inferno e só uma explosão nuclear conseguiria evitar que se espalhasse por todo o Japão e até mesmo pelo mundo. O mesmo serve para Chernobil. O suposto acidente nuclear foi apenas uma desculpa por trás dos verdadeiros fatos, queriam conter o vírus. E dessa vez... Dessa vez... A infecção atingiu níveis alarmantes! Justamente por isso a núvem de radiação foi 400 vezes pior do que a bomba de Hiroshima, atingindo uma área tão grande... União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

-Desculpa Dr.Kennedy, mas esse comentário parece um tanto exacerbado. -Comenta Molson, com desconfiança.

-Me diga se ver mortos vivos andando pela cidade também é exacerbado?! -Indaga furiosamente o Dr. Kennedy. –Há uma conspiração por trás de tudo isso! Assim como houve nesses dois casos. Também ocorreu e ocorrem outras infecções pelo mundo e sabe lá quantas vezes já foram ocultados. Quem sabe até mesmo a Peste Negra... Que matou quase um terço da população européia... Sim, supostamente foi uma bactéria transmitida por ratos... Su-pos-ta-men-te... Será que não foi uma infecção por Solanum???



-Perdão Doutor. É que esse caos está deixando todos confusos... Como o vírus se espalha? Pelo ar???

-Quanto a transmissão ser pelo ar, eu não tenho muita certeza, pois creio que se fosse assim, todos nós estaríamos infectados... Embora essa hipótese não seja descartada... Talvez pessoas com imunidade mais baixa possam contraí-lo com mais facilidade, pelo ar ou água contaminada por exemplo. Mas de uma coisa eu tenho certeza... A mordida! Isso com certeza transmite o vírus e transforma as pessoas em mortos vivos. O intervalo de tempo para transformação varia de pessoa para pessoa, podendo ser instantaneamente ou até mesmo depois de algumas horas, partindo do fator citado anteriormente, imunidade. Só tenho a dizer-lhes uma coisa: Evitem ser mordidos! E se alguém for mordido, mesmo sendo sua mãe, seu filho, irmão, amigo ou qualquer um... MATE-OS! Quando eles retornam, não são mais as pessoas que vocês conheciam, eles só estão de pé porque o Solanum está invadiu parte do sistema nervoso e os permite funções básicas, a única necessidade que eles tem é de se alimentar de carne humana fresca. Lembrem-se de atirar na cabeça, é a maneira mais fácil de detê-los. Queima-los, eletrocuta-los ou lesionar o topo da coluna vertebral também é um meio de acabar com eles.

-Há uma cura para isso?

Cura...??? Risos. –Dr. Kennedy ri sarcásticamente. Até pouco tempo eu achava que não. Porém, depois que descobri a Biotec, posso dizer que certamente existe, embora consegui-la, deve ser quase impossível. Provavelmente quem está por trás da conspiração Bio... Ops! Corporação Biotec, deve possuí-la. Há muito tempo venho buscando informações sobre o Solanum e acabei descobrindo que eles isolaram o vírus e supostamente estavam fazendo experiências com ele, e foi justamente esse fato que me atraiu para The Princess. Queria tentar desmascara-los antes que algo terrível acontecesse, mas infelizmente, acabou acontecendo, ou melhor está acontecendo. Pelo menos agora possuo provas para incrimina-los e também...



-Dr Kennedy por favor... –Molson o interrompe. – Desculpe! Mas não posso permirtir esse tipo de acusação na transmissão, principalmente sendo de emergência. O objetivo aqui é explicar às pessoas que ainda estão vivas como lidar com a situação em que nos encontramos. Agradeço os esclarecimentos dados... Agora vamos ouvir o pronunciamento do Padre Antonny sobre o que está acontecendo.

-Isso é a ira de Deus... Só consigo explicar dessa forma. Cada vez mais a humanidade vai contra os ensinamentos de Deus. O homem mata, rouba, blasfema, destrói... Esse é o castigo para os pecadores. É o Inferno na Terra. O que tenho a dizer aos que permanecem vivos, é que dêem as mãos, orem e busquem o perdão do Senhor por todos os nossos pecados.-Prega o padre, parecendo estar bastante desnorteado.

-Obrigado a todos aqueles que estavam acompanhando, essa é a ultima transmissão do programa. Podem deixar o rádio nessa frequência, pois poderão ouvir prováveis transmissões de resgaste. Boa sorte à todos e que Deus nos abençoe... -Com lágrimas nos olhos e mãos trêmulas, Molson finaliza.

-Eles estão aqui!!! Estão aqui!!! Vamos fugir! Que merda cara! Que merda! Tah tudo fudido! Tah tudo fudido!!! –Alguém entra na sala de transmissão gritando desesperadamente.



(...)


Washington´s Street. 09:10 am

Damon vasculhara o seu bairro em busca de sobreviventes, contudo, a única coisa que ele conseguira avistar foi sangue e destruição. Eles estavam por toda parte, os mortos vivos caminhavam sem rumo, buscando satisfazer sua necessidade única, a de se alimentar, e quem ainda estava em vida era a refeição, fazia parte da carnificina.

Durante um momento ele avistou uma viatura e ouviu tiros ao longe, pisou fundo no acelerador e foi ver o que se passava. Ao chegar no local viu um policial sendo atacado por três zumbis, ele já derrubara um grupo deles, contudo suas balas haviam acabado. Encostando-se na viatura, parecia estar esperando ser devorado e morrer da forma mais brutal possível. Antes que começassem o banho de sangue, Damon sacou a arma com muita fúria e sem descer do carro, disparou três tiros precisos, explodindo os miolos dos desgraçados, os quais já haviam feito um baita estrago no policial. Ao aproximar-se do companheiro ferido, ele percebeu que era o Matt, Matt Thompson. O sujeito super prestativo que o ajudara muito uma semana antes de mudar e na sua mudança para The Princess, apresentando-lhe a cidade, a corporação e a casa onde estava morando. Em poucos dias criaram uma grande amizade, foi duro para ele ver um dos poucos amigos que fez na cidade naquele estado, sangrando muito e que provavelmente se tornaria um deles.



-Matt! Matt! Você está bem meu amigo!?
- Olá Damon! Eu estaria bem se estivesse tomando umas cervejas com você o o Shawn! Risos! Muito obrigado por ter evitado que aqueles desgraçados me devorassem, a ultima coisa que eu queria, era ser o banquete deles... Uuuuughhhhh!
- Matt poupe seus esforços! Você está muito machucado, tente ficar calado, vou cuidar dos seus ferimentos, procurar ajuda... Irei te tirar daqui!
-Peguei uma transmissão do Shawn, mas não consegui responder... Ele está bem, tente encontra-lo! Infelizmente não adianta tentar me ajudar, e eu sei que você sabe disso... Vi o que acontece quando alguém é mordido, vou tornar-me um deles a qualquer momento... Damon! Você sabe o que fazer... –Com tristeza nos olhos, sabendo que aqueles eram seus ultimos momentos de vida, Matt faz o pedido cruel ao amigo.

Naquele momento, lágrimas correram pelos rostos de ambos. Apesar de conhecidos a pouco tempo, já haviam criado um laço de amizade e que parecia ainda durar muito, porém, tudo estava por um fio, ou melhor por um disparo. Era sufocante ver a face de Matt refletir a dor e a agonia que sentia. Damon estava com as mãos muito trêmulas, nem conseguia destravar a arma, foi então que Matt falou:

-Ei! Está tão difícil assim é!? Você é um policial ou não!? Me dê essa arma aqui, seu calouro de uma figa! Risos... Uuuughhhhhhhh!
- Ma... Matt...
-Calma cara, eu ainda não morri!

Com muito esforço Matt levantou-se e pegou a arma da mão do Damon, que parecia estar em outro mundo, perdido, sem saber como agir naquele momento.

-Pronto Damon! Você não estava conseguindo fazer algo tão simples. Adeus meu amigo, foi... muito... bom... ter... co...nhe...cido vo...cêÊÊê! -Matt fala com Damon esforçando-se bastante, sentindo a morte abraça-lo.
- MATT!!! NÃOOO!!!
-BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAM!!!



Um tiro certeiro na boca, espalhou os miolos dele no chão, como esperado, seu amigo não conseguiria mata-lo, então ele mesmo o fizera. Damon ficara desolado, pôs as mãos na cabeça e chorou... Chorou como nunca havia chorado antes, parecia uma criança assustada, eram lágrimas de ódio, de dor, de remorso, de desespero... As mais devastadoras que já caminharam pelo seu rosto. Ele respirou fundo e olhou freneticamente para o cenário sangrento, seus olhos pareciam enxergar apenas a cor vermelha. Sentiu-se disposto a desvendar todo aquele mistério, queria saber o que realmente estava acontecendo com a cidade, a causa de tudo aquilo e também se haviam outros sobreviventes, sentia-se no direito de salva-los, afinal ele era um policial.
Enquanto refletia, por um momento voltou a realidade e gritos de socorro estremeciam os seus ouvidos...

- SOCORRO!!! AJUDE-ME!!! ESTÃO ATRÁS DE MIM!!! ESTÃO ATRÁS DE MIM!!!